quarta-feira, 31 de maio de 2017

Hit the road Jazz !


Hit the road Jazz !


A cidade do Funchal, prepara-se para receber em Julho “a quase” emancipação do Jazz. A 17º edição do Funchal Jazz, acontece, como costume, a 13,14 e 15 e reúne um dos cartazes mais fortes de sempre. 


cartaz 2017



Realizado desde 2000 pela Câmara Municipal do Funchal e há três anos dirigido pela empresa Choose Fantasy, os três dias dedicados ao Jazz acontecem no Parque de Santa Catarina, no centro do Funchal. O cartaz está completo e confirmados estão João Barradas, Saxophone Summit, Rudy Royston, Kurt Rosenwinkel, Bill Frisell e a lenda Charles Lloyd.


André Santos, autor do álbum Vitamina D, admite “O Paulo Barbosa, diretor artístico há três anos, tem feito um excelente trabalho na programação, reunido grandes nomes nacionais e internacionais da atualidade do Jazz e este ano não é exceção, cartaz de eleição!”



capa Àlbum Vitamina D


Para o guitarrista João Rodrigues “Os três guitarristas que compõem o cartaz desta edição, são verdadeiras inspirações. Rosenwinkel, provavelmente é o guitarrista de jazz mais influente do séc XXI. Frisell é uma grande referência nas últimas gerações de guitarristas, inclusive para o próprio Rosenwinkelassumido pelo própriotem uma voz muito particular e inconfundível. Quanto ao André Fernandes, é português mas para mim tem qualidade igualável.”

Evocando a passagem do milénio, foi em 2000 que pela Câmara Municipal do Funchal nasceu esta iniciativa. Durante uma década aconteceu na Quinta Magnólia e acolheu nomes como Diana Krall ou o falecido Ray Brown.

Diana Krall 















Para André Santos, com formação pela Hot Club Portugal, “é importantíssimo assistir a pelo menos seis concertos de Jazz do mais altíssimo nível anualmente no Funchal” é um festival que não dispensa desde os 12 anos. Sempre deteve preferência por este estilo musical e admite ter assistido a músicos lendários ao longo dos tempos. Quanto aos últimos três anos, com novo programador, “tive a oportunidade de ver vários músicos que se destacam e que reinventam o Jazz e são a marca do Jazz actual: Jason Moran; Ambrose Akimusirie; Fred Hersch, etc.”



André Santos em atuação

Presença em todas as edições, a madeirense Jani Anjo, gostava do estilo aprendiz das primeiras edições “era um ambiente mais descontraído. Havia cadeiras, mas as pessoas optavam pela relva. Quanto aos artistas, atualmente confesso que a qualidade é muito superior. Há outro público, verdadeiros amantes de Jazz, o que fez subir a fasquia.”

Sobre a dimensão do espetáculo, André perfaz: “A palavra passa rápido no meio do Jazz e tocar num festival localizado num sítio como a Madeira, com a receção e tratamento de luxo que é dado aos músicos, é fácil toda a gente querer tocar no festival. “O próprio já atuou no palco secundário como banda base das Jam Session, classificando a experiência como excelente.“ A grande maioria dos músicos do palco principal juntou-se a nós para partilhar música na Jam e alguns deles ficaram a partilhar histórias connosco depois disso”, acrescentando, “isso é das coisas importantes que um músico pode ter, partilhar música e histórias com músicos incríveis.”

João Barradas é o “cabeça de cartaz” português. Acordeonista, já premiado pelo Troféu Mundial de Acordeão, formou-se no Curso Oficial de Acordeão do Conservatório Nacional, concluindo com 20 valores. Durante todo o seu percurso, tem vagueado entre o Jazz, Musica Clássica e improviso.
                    João Barradas

Saxophone Summit, são os segundos a subir ao palco. Formado por três saxofonistas com projetos independentes (Dave Liebman, Joe Lovano e Greg Osby) juntaram-se ao pianista Phil Markowitz (65 anos), ao contrabaixista Cecil McBee (82anos) e ao baterista Billy Hart (77anos). A organização do Funchal Jazz confessou que  “a secção rítmica é um verdadeiro portento cuja acção acusa mais a experiência do que a idade dos seus constituintes”. De salientar que Joe Lovano é considerado o saxofonista mais galardoado da atualidade, sendo conotado como “uma espécie de ‘Papa’ do Jazz”.


Saxophone Summit

Da América, é confirmado o baterista Rudy Royston para o segundo dia. Nascido no Texas, foi referido no New York Times, pelo crítico de música Nate Chinen, como “um talento de primeira linha”.

No mesmo dia sobe “ao pódio” o seu conterrâneo, o guitarrista Kurt Rosenwinkel CAIPI Band.


Kurt Rosenwinkel

O último dia acolhe o premiado Bill Frisell e os seus dois companheiros, o baixista Tony Scherr e Kenny Wollesen. Frisell em 2004, 2009 e 2016 recebeu a nomeação para o Grammy, tendo em 2005 vencido na categoria de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo. O encerramento será feito pelo saxofonista de 79 anos, Charles Lloyd que segundo a direção “parece estar a tocar melhor do que nunca, de uma forma cada vez mais intensa, inevitavelmente lírica e escandalosamente bela”.


Charles Lloyd



O conhecido guitarrista Carlos Santana, classificou Charles Lloyd como “um tesouro internacional”. A não perder, no Funchal








Ana Sofia Jesus 2012316

Semana Académica e da Juventude: o momento em que Mação mexe!


A Semana Académica e da Juventude (SAJ) é um evento que conta já com cinco edições consecutivas, chegando mesmo a fazer parte do calendário anual de eventos a não perder no concelho de Mação.

Daniel Jana, natural do concelho e licenciado em Marketing pela Universidade da Beira Interior, é atualmente o presidente da “Associação Magalhães de Mação”, órgão responsável por esta iniciativa, e consultor na empresa Wizardjump.

A sua paixão e dedicação por aquela que foi e é, desde sempre, a sua terra é notória e além de todas as iniciativas que promove enquanto representante dos Magalhães, ainda consegue ajudar e participar em outros eventos de outras associações. Um dos maiores exemplos disso foi a recente distinção em nome individual relativo ao MAC TT no ano 2016, e por outro lado, “(...) pelo terceiro ano consecutivo e aquela distinção que mais me orgulha relativa a "parceiro associativo" à Associação Magalhães de Mação!”.


(Sérgio Santos, Daniel Jana e Rui Gonçalo Marques na entrega dos prémios acima referidos.)

Como e com que propósito surgiu a Associação?
Decorria o mês de Dezembro do ano 2008, e como é natural no nosso país os jantares de convívio na altura do Natal surgem com muita frequência, um grupo de jovens amigos de longa data discutiam este mesmo assunto no balcão do Nok Bar que tradicionalmente frequentavam e deparavam-se que havia quem tivesse o convívio da empresa, da associação, do clube... e como acompanhar os pais nesses jantares já se estava a tornar pouco apetecível,  decidiram por bem organizar um jantar de amigos mas com a temática de quem quisesse ir teria de estar vestido a rigor, e como a época exigia cerca de 20 Pais Natal de fato e gorro vermelho apresentaram-se no Restaurante O Godinho a 19 de Dezembro (sexta-feira) à  hora marcada. Num jantar muito animado e bem regado, a festa era imensa e a conversa à volta da mesa em torno de no futuro se repetirem jantares temáticos como aquele tornou-se séria (dentro do possível) e aí surgiu a ideia de criarmos não uma tertúlia mas sim uma família e que precisava de um nome de família.

Que acabou por ser “Magalhães”.
Os sobrenomes tradicionalmente Portugueses eram muitos mas havia sempre algum membro que tinha esse sobrenome até que saiu " e se for os Magalhães?" e assim ficou baptizada esta família de amigos de Mação.

Quando é que se começaram a aperceber do impacto que a vossa “família” estava a ter?
A história continuou e o grupo "com calma, mas com muita alma",  tornou-se ao longo dos anos seguintes cada vez maior e unido e a comunidade local começou a reconhecer o mesmo pois sucediam-se iniciativas de cariz solidário, desportivo, cultural que traziam aos Magalhães alguma notoriedade identidade com a população e com organizações públicas e privadas que tendia a intensificar-se cada vez mais. Em 2013 fruto do crescimento não só do grupo mas também das pessoas que o integravam, os Magalhães viram-se perante a sua primeira difícil decisão que era a de se tornarem legalmente constituídos com todos os benefícios que poderiam daí advir mas também da responsabilidade que isso acarretava. Numa escolha democrática no seio do grupo o que era até então o ontem e o hoje, passou a ser "Ontem, Hoje e Amanhã". No dia 04 de Julho de 2014 decorreu a 1ª Assembleia Geral  para aprovação de estatutos, denominação, sócios fundadores e eleição dos órgãos sociais numa lista única composta por todos os sócios fundadores, posto isto foi ainda nomeada uma equipa para liderar o processo legal e jurídico da constituição da Associação Magalhães de Mação. A Associação viria a ser finalmente oficializada 8 meses mais tarde - depois de muitos problemas levantados quanto ao porquê da designação da associação como "magalhães" -  a 19 de Março de 2015 na conservatória  do Registo Civil de Castelo Branco.
 
Qual é o objectivo principal da vossa Associação?
A nossa Associação que tem como fim promover e desenvolver actividades de cariz Solidário, Desportivo, Recreativo, Lúdico, Educativo e Cultural para a população em geral com um foco especial na juventude do concelho de Mação e com isto contribuir para o desenvolvimento do nosso concelho através das inúmeras actividades que desenvolvemos ao longo do ano  em prol da nossa terra e das nossas gentes.

Desde que iniciaram esta aventura, qual é o balanço que pode fazer de todos estes anos, enquanto Presidente?
O balanço é extremamente positivo, enquanto presidente eleito da mesma até a data e no segundo mandato acho que estamos no caminho certo apesar de todo o tempo dispensado as noites mal dormidas e todas as dificuldades normais do mundo associativo estamos a demostrar que a nossa existência enquanto associação faz sentido e enquanto assim for a associação continuara com a força e vivacidade que vive atualmente.
 
Sentem que, de facto, a associação é uma mais valia para os jovens deste concelho tendo em conta as iniciativas que promovem?
Sem dúvida, e todos os dias recebemos feedback disso mesmo, e sinal que o trabalho esta a ser bem feito e os objectivos estão a ser alcançados.

Qualquer pessoa pode ser membro dos Magalhães?
Qualquer pessoa pode ser sócia da nossa Associação e assim passar a pertencer a esta “família” que já conta com mais de uma centena de sócios ativos.

Como surgiu a iniciativa de criarem um evento como a Semana Académica e da Juventude?
A SAJ é um evento que já conta com 5 edições consecutivas, onde é notória e evolução a cada ano que passa, a ideia à 5 anos atrás surgiu por os membros da associação serem na sua maioria estudantes universitários e daí a vontade de trazer para a nossa terra algo que experienciava-mos nas cidades que nos acolhiam para estudar. Estava lançado o repto e assim se organizou a primeira Semana Académica do País numa vila que não tem universidade mas tem os jovens, os estudantes e principalmente o espírito.

Quais são os vossos objectivos com a realização da mesma?
A Semana Académica e da Juventude, é um evento de cariz Cultural, Desportivo, Lúdico. Educativo, Solidário e Social, trabalhamos com objectivo  que o evento seja do agrado do público em geral, mas não esquecendo claramente o seu público – alvo que são os Jovens maioritariamente residentes ou com raízes ao nosso concelho mas não só, pois já atrai inúmeras pessoas dos Concelhos limítrofes o que demonstra a evolução e qualidade do mesmo, sendo hoje considerado por muitos um evento marcante na região facto que tem uma grande importância para a economia local e para dar a conhecer Mação.

(Um dos programas a decorrer na SAJ é a realização de palestras, este ano esteve presente a atleta olímpica de canoagem Francisca Laia.)

Quais as maiores dificuldades que encontram neste evento, desde a organização até à concretização?
As maiores dificuldades são sobretudo ligadas ao risco do investimento em causa bem como a pouca disponibilidade dos membros da organização para reunir devido às suas vidas pessoais, profissionais e académicas.

De que modo esta iniciativa mexe com todo o concelho?
Esta iniciativa já consta no calendário anual de eventos a não perder no concelho de Mação pela sua grandeza e qualidade que faz com que principalmente os mais jovens naturais ou com raízes voltem as suas origens nestes dias o que traz uma “animação” as localidades do concelho  desde aldeias ate a própria vila que vive intensamente este evento pois o mesmo desdobra-se por vários pontos da vila de mação o que é notório é que Mação realmente “mexe” nestes dias e todos ficamos a ganhar.

Dada a enorme adesão, podemos então dizer que o balanço final é positivo?
O evento foi um grande sucesso mais uma vez, sendo considerado por todos:  os visitantes, entidades envolvidas, patrocinadores,  a população local enfim estamos muito orgulhosos do trabalho desenvolvido nesta iniciativa sem dúvida uma aposta a repetir no próximo ano...

Qual é o futuro que gostarias e visionas para a vossa “família”?
Apesar de se tratar de uma Associação muito recente, tem já bons alicerceares  e onde se prevê que o futuro seja risonho e a continuidade está assegurada pela quantidade de associados a demostrarem capacidade de efectuarem a natural renovação dos órgãos directivos sem se perder a essência com que esta associação surgiu e em boa hora no concelho.

(O Presidente da Associação Magalhães de Mação, Daniel Jana, na 1ª Gala da Associação Magalhães de Mação, onde foram atribuídos os prémios de "Reconhecimento 2016" a todos os seus parceiros.)



Esta entrevista foi realizada no âmbito da unidade curricular de Cibercultura. Para saber mais sobre a Semana Académica e da Juventude:
 

Todas as fotos e conteúdos audiovisuais foram gentilmente cedidos pelo entrevistado.

Discente: Joana Jana (20150547)





Solidão Boémia :

A baixa da cidade de Coimbra, outrora cheia de vida agora é a imagem de ruas vazias,
onde lá passam apenas os que tem de passar, os que já tem na sua rotina desde sempre.
Os estabelecimentos, antigas casas de renome, agora não passam de lugares velhos, entregues ao pó e aos bichos.
Pela lente da câmara até tem um aspecto engraçado, antigo e clássico, mas agora, ninguém sabe as histórias que por ali se
viveram, os segredos que aquelas paredes (ou a falta delas) escondem.

Video completo: https://youtu.be/6hvwBWs1-bg

Trabalho Realizado por: Sofia Tavares  nº2011332

terça-feira, 30 de maio de 2017



É engraçado como a natureza sempre nos surpreende. 
Nunca está igual. De dia para dia mostra-nos uma disposição diferente. 
Há dias que está bem disposta, outros que está mais zangada.
Incrível, é ela estar sempre bela! 
Privilégio o nosso de poder contempla-la em todas as suas estações, e as suas cores tão próprias. 
Privilégio o nosso de sentir a sua tranquilidade, só pela sua paisagem única.  
Como é possível estar tão apta para nós? 
Será ela o nosso "Deus" ou será "Deusa"? 
Por alguma razão é chamada de "mãe natureza". 
Dá-nos na sua forma mais genuína, tudo o que necessitamos. 
Como não ser grata como uma dádiva desta? 
Obrigada por me deixares viver a admirar-te. 






Trabalho  por: 
Cristina Furtado

Como existir na rua?

https://www.youtube.com/watch?v=1-0ozh7WZso


Bárbara Rodrigues 20150128

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mata Nacional do Choupal




A Mata Nacional do Choupal
   

     A Mata Nacional do Choupal constitui um dos locais mais importantes da cidade de Coimbra. Foi desde sempre um espaço preferencialmente utilizado para recreio e desporto, no entanto, também possui uma série de caraterísticas únicas de biodiversidade.
     Localiza-se nas freguesias de Santa Cruz e de São Martinho do Bispo, com uma área total de 79 hectares e está dividido por valeiros alimentados pelo mondego, apesar de no momento funcionarem apenas a nível estético. Atualmente encontra-se sob gestão do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
    O Choupal é o parque com maior diversidade animal, onde é possível encontrar mais de 65 espécies. Entre as que mais se evidenciam, encontramos uma das maiores colónias de milhafre-negro, que se localizam no topo de grandes árvores como o eucalipto, destaca-se ainda a presença de garças-vermelhas, uma espécie em extinção e que mantém uma relação entre o Choupal e o Paul de Arzila.
      No que concerne a mamíferos, é possível ver a lontra que está em constante viagem entre o Mondego e a mata, onde faz o seu dormitório. E ainda os morcegos arborícolas que utilizam as árvores mais antigas para lhes proporcionarem abrigo.
      Em termos de lazer existem zonas para fazer refeições, de recreio para os mais novos e espaços para a realização de desporto.
      A Mata do Choupal, é assim, um importante espaço de conservação da vida selvagem, oferecendo suporte ao nível da alimentação, refúgio e reprodução das espécies. Deve ser um local de paragem obrigatória para qualquer visitante da cidade de Coimbra pelo tanto que tem para oferecer.

Para ver mais fotos clique: https://catarinacgomes.wixsite.com/choupal


Ana Gomes 


A seca do 7T

Trabalho individual Cibercultura - José Lopes (20150110)
Vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=HuTjt5Y-02g&feature=youtu.be

domingo, 28 de maio de 2017

A memória de um ditador

Avenida Dr. Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar, natural de Santa Comba Dão, da Freguesia do Vimieiro, é conhecido na terra como uma pessoa humilde  e que “não tirava nada ao Estado”. Apesar da sua história e da marca que deixou em Portugal, o seu património encontra-se ao abandono. No entanto, embora a sua casa estar abandonada e a sua estátua ter dado lugar a uma fonte no centro da cidade. o ditador não é esquecido na sua terra natal. Na madrugada do dia 12 de fevereiro de 1978 a estátua, que já não tinha a cabeça de Salazar, foi destruída por uma bomba. Os sinais visíveis que ainda restam da sua passagem são a avenida Dr. Oliveira Salazar, a antiga estrada para Coimbra que passava à porta da casa onde nasceu e da outra que comprou já era presidente do Conselho e ainda a Escola_Cantinha Salazar.


Casa do Dr. Oliveira Salazar
Assim, numa perspectiva diferente, as pessoas ainda têm bem presentes na memória a pessoa que ele era e os seus costumes quando estava na sua terra, o Vimieiro.
Aurora Borges, residente em Santa Comba Dão, relembra a passagem do ditador pela cidade.“ Dizem muito sobre Salazar, mas a verdade é que ele não tirava nada ao Estado, como acontece agora”. A residente explica que Salazar era uma pessoa humilde, quando ia a Santa Comba Dão, a empregada ia às compras para a casa, mas ele tirava sempre dinheiro dele para as compras e para o transporte. “Era também costume mandar fazer um par de sapatos por ano, sem tirar dinheiro nenhum ao Estado”, acrescenta. Por fim relembra ainda, que “ mesmo quando fazia um jantar, ou havia algum evento especial, o talher que era usado para essa ocasião era reposto logo a seguir. Não é como agora que quanto mais puderem roubar ao Estado melhor”.

Escola_Cantina Salazar
Todavia, João Bernardo, recorda ainda o tempo da guerra em que “tudo era racionado, pois a comida tinha de ir para fora para o exército, mesmo que pudéssemos comprar mais, não podíamos”. Este, refere ainda que “o povo está melhor agora porque há mais liberdade e não há tanta fome” como no seu tempo. Contudo, admite que “apesar de ter havido muita miséria e de o povo ter passado muita fome, não havia a corrupção que há hoje em dia”.

São várias as histórias que se contam acerca do seu funeral e do sitio onde estará o seu corpo. “Apesar de ter sido feito um funeral no cemitério do Vimieiro acredita-se que o corpo não estaria dentro do caixão”, explica Aurora Borges.
No cemitério pode-se encontrar um pequeno memorial em sua honra com um poema e algumas frases.





“O Homem mais poderoso de Portugal
Do século XX, e modesto sem igual
Nasceu humilde e humilde cresceu
Viveu humilde e humilde morreu
Medíocre é o povo que com ele nada aprendeu”.


Memorial no cemitério do Vimieiro

“Havemos de chorar os mortos, se os vivos não o merecerem”.
“O errar é próprio dos Homens, mas até à data foi o melhor estadista.
É o mais honesto dos governantes de Portugal”.







Trabalho realizado por:
 Joana Beja



Rotinas

video
Trabalho feito por: Pedro Meneses

"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores"

"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores" é um programa regional e semanal de comentário satírico-desportivo da Lajes FM, apresentado por Armando Costa. O tema de hoje é: "O caso do túnel de Rabo de Peixe". Os convidados são o antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa e o professor José Pedro Cerveira, da Escola Superior de Educação de Coimbra.


"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores"


Trabalho realizado por:
-Mário Mateus.

sábado, 27 de maio de 2017

“As marcas ficam cá para toda a vida”
Cerca de um milhão e meio de soldados portugueses estiveram envolvidos na guerra do Ultramar.

Passados 56 anos do início da guerra do Ultramar são muitas as memórias e pesadelos que ainda assombram a vida de quem foi obrigado a participar numa guerra que não considerava sua. Lúcio Costa, do regimento da infantaria 1 da Amadora, foi destacado para a província ultramarina de Angola. Hoje, com 76 anos, conta-nos o que passou em solo angolano e a emoção que não conseguiu conter.

Em que ano foi destacado para a guerra do Ultramar?
Estava na Amadora há dois meses na recruta quando a chacina à população branca começou em Angola. Só estávamos para ir para Luanda em 1962, mas como a guerra “explodiu” o comandante ofereceu a nossa companhia. Eramos a Quinta Companhia de Caçadores Especiais, e fomos obrigados a ir em 1961, ainda sem qualquer experiência.

Teve a oportunidade de se despedir de quem mais gostava?
Como fomos das primeiras companhias a ir, recebemos as fardas numa tarde e ao outro dia de manhã apanhamos logo o avião. Muitos militares não quiseram, mas eu ainda vim a casa. Tive de me despedir dos meus pais, até porque não sabia se era a ultima vez que os via.
Lúcio Costa, Angola 1962

Percebia as razões deste combate ao serviço de Portugal?
Eu sabia que ia para uma guerra, mas não fazia ideia do que ia encontrar. Estávamos a ir para o
desconhecido, deixando o nosso país para trás. Praticamente íamos de olhos “vendados”.

Já tinha tocado em armas?
Nunca tinha tocado em armas. Mas ali era preciso, apesar da experiência ser nula tínhamos de nos defender. Ao início usávamos uma espécie de espingarda. Só para o fim é que nos deram as automáticas.

Tinha noção de que o risco de vida era grande.
Sim, claro. Mas as forças rebeldes da UPA tinham estratégias que fomos conhecendo. Por exemplo, quando víamos uma árvore caída no chão a tapar um caminho já sabíamos que ali estavam eles à nossa espera. Prontos para nos matar assim que descêssemos do jipe. Como já sabíamos metralhávamos aquela zona toda, não podíamos correr esse risco.

O que é que ainda hoje o emociona?
Daquilo que vi o que mais me emociona foi um episódio que vivi na fazenda Nunes, nos arredores de Quitexe. Ao chegar a este local a primeira coisa que vi foi num berço, um bebé completamente mutilado. Isto deita qualquer um abaixo. Passados já tantos anos são imagens que ainda estão muito presentes na minha cabeça. Foi das piores coisas que vi. 

Além deste, houve mais algum episódio que o tenha marcado?
Chegamos a uma serração noutra fazenda, onde encontramos sete corpos chacinados. Ali tinham agarrado nas pernas dos meninos mais pequenos e batiam com eles na parede, foi assim que os mataram. Fizeram as maiores atrocidades àquelas pessoas e crianças inocentes.
Lúcio Costa com um colega

Como foi ver os seus colegas morrer?
Não foram muitos. Só vi dois colegas meus falecerem. Um deles porque o carro de combate que conduzia se virou e ele teve o azar de ficar lá de baixo. O outro também por acidente. Um dos sargentos levava uma arma FBP e num segundo aquilo disparou. O meu colega estava na frente e foi atingido.

Conseguia dormir?

Muito pouco. Quem é que não tinha medo? Todos tínhamos. Durante a noite era ainda pior. Quando conseguíamos dormir era no chão. Fazíamos turnos. Uns descansavam, enquanto os outros ficavam de vigia. Não podíamos estar descansados porque a qualquer momento podíamos ser atacados. A minha “melhor amiga” era a espingarda. Dormia com ela, caso houvesse alguma coisa de repente estava pronto a disparar.


Como conseguiu gerir as emoções no meio de algo tão atroz?
Não foi fácil. Chorei muitas vezes. Tinha saudades de casa e do meu país. Mas principalmente por tudo aquilo que se passava em Angola e o que eu via.

Eram bem alimentados?  
Quando íamos para o mato comíamos ração de combate. Latas de atum ou sardinha, bolachas de água e sal, não tínhamos muito mais. Para “matar” a sede, muitas vezes, bebíamos a água das poças sujas. Não havia mais nada e a sede era muita.

Os últimos meses continuaram assim atribulados?
Não. Regressei em 1963 e os últimos meses já eram muito mais calmos. Já não passávamos fome, por exemplo, comíamos santola e lagosta. As pessoas de lá tratavam-nos como se fossemos da família.

Como reagiu no dia em que anunciaram o regresso a Portugal?
Foi uma alegria muito grande quando nos disseram que podíamos regressar a casa, ao nosso país. Eu só queria vir embora.

Veio um homem diferente?
Depois de tudo o que vivi naquelas fazendas, tornei-me um homem diferente. Quando regressei a Portugal estava muito revoltado e agressivo. Tudo era razão para agir com violência. Aos poucos fui acalmando e, hoje em dia, controlo-me muito melhor, mas as marcas ficam cá para toda a vida.
maio, 2017
Os traumas ainda estão presentes?
Estive em Angola durante dois anos e seis meses. Não dá para simplesmente apagar da memória um período tão marcante que vivenciei. Ainda hoje adormeço e acordo com pesadelos, como se ainda lá estivesse. Não é fácil lidar com as coisas que vimos.
               
                 
                                                                                                                Ana Margarida Costa
                                                                                                               Atelier de Cibercultura

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O futebol contribui para o desenvolvimento das crianças?


O professor Hugo Sarmento responde




Entrevista a Hugo Sarmento: “Se as metodologias forem as adequadas, podem tornar-se resilientes, trabalhadores focados, com objectivos e cumpridores. As mesmas normas para jogadores diferentes têm resultados diferentes.”

Hugo Sarmento foi treinador e atualmente é investigador e professor na Faculdade de Ciências do Desporto (FCDEF) da Universidade de Coimbra (UC), onde a entrevista teve lugar. Foi possível perceber a enorme movimentação de alunos e desportistas.

É licenciado em Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade de Coimbra. Mestre em Treino de Alto Rendimento pela Universidade do Porto e doutor em Ciências do Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Possui um pós-doutoramento em Ciências do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana.

Exerceu o cargo de professor durante anos, no ensino secundário e no ensino superior. Dentro do ensino superior, trabalhou no Instituto Politécnico de Viseu e no Instituto Superior da Maia.

No mundo do futebol foi treinador do campeonato nacional de seniores de vários clubes da região de Coimbra e ocupou durante quatro anos o cargo de treinador na Academia do Sporting em escalões sub-10 e sub-13.


A entrevista foi realizada no âmbito de uma reportagem para unidade curricular Jornalismo Digital, do segundo ano do curso de Comunicação Social (reportagem aqui: https://goo.gl/VOIkUd).

Ao longo da entrevista procurei desmistificar de que forma o futebol contribui para o desenvolvimento das crianças, perceber qual o comportamento que os pais adotam e quais as suas consequências.



O futebol pode influenciar o desenvolvimento da personalidade das crianças?
Pode, como qualquer outra atividade do dia a dia. Até que ponto isso se pode mensurar é mais difícil de identificar e de tornar objetivo. Pode influenciar de várias formas, positiva ou negativamente. Se as metodologias forem as adequadas, podem tornar-se resilientes, trabalhadores focados, com objetivos e cumpridores. As mesmas normas para jogadores diferentes têm resultados diferentes. Há aspetos da personalidade deles que são intrínsecos e que não são moldáveis assim tão facilmente. E se o suporte parental não for adequado é um problema.

Que ensinamentos/ práticas devem ser inseridas para os fazer evoluir enquanto seres humanos? 
Há todo um conjunto de saberes e que tem a ver com princípios, normas, regras, que devem seguir e que é um dos principais suportes que o futebol pode dar a estas crianças. No entanto, existe um mundo de possibilidades que se encerram neste jogo desportivo coletivo. Mas depende muito da capacidade do treinador, do grupo de jogadores e dos pais.


Quais as diferenças entre treinar um adulto e treinar uma criança?
Em termos de metodologia de treino é completamente diferente. Existem fases sensíveis para desenvolver algumas das capacidades, nomeadamente a força, a resistência, a agilidade, a velocidade. Todas essas capacidades têm períodos sensíveis de desenvolvimento e necessitam de ser incrementadas nos mesmos. Portanto, há uma necessidade completamente diferente em relação aos adultos. Mesmo na forma como se lida com eles, como se fala com eles, como se planifica o treino para o tornar mais motivador. Isto acaba por ser muito diferente, se não leva a que eles abandonem a atividade desportiva. Nos seniores temos os seniores de rendimento, os seniores amadores e é muito diferente a abordagem no treino em função dessas especificidades. 

Quais os cuidados a ter quando se lida com crianças no desporto?
Há intensidades de treino que são completamente diferentes. Há uma forma de comunicar diferente. Com jovens tem de se comunicar de uma forma muito mais próxima, tem de se ser mais tolerante, cativante, porque o objetivo não é só incrementar o rendimento, embora nas academias o objetivo seja cada vez mais o rendimento. É a cima de tudo preparar o ser humano para a prática da atividade. E antes de qualquer tipo de rendimento, há que desenvolver o gosto pela prática da atividade física, que é isso que os torna adultos saudáveis, vão eles mais tarde pelo caminho do futebol ou não.

De que forma reagem as crianças às motivações (expetativas) criadas pelos treinadores e pelo desporto em si?
Há que ter cuidado com o nível dos nossos atletas. Se temos expetativas muito altas e eles não conseguem cumprir, isso pode levar a que eles abandonem a prática e proporcionar sentimentos de inferioridade perante os colegas, afetando-os negativamente. Mas isso é um aspeto que o treinador tem de dominar e saber gerir muito bem para perceber até que ponto os jogadores podem chegar.

De que forma o futebol, pelo reconhecimento e dimensão que tem, pode ajudar a combater o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças, entre outros problemas?
O futebol é uma modalidade que pela expressão que tem a nível mundial cativa as crianças para a sua prática. Ao estarem envolvidos neste contexto de equipa em que os pais não entram, pelo menos no balneário não entram. Em contexto de jogo e de treino entram cada vez mais, infelizmente. Mas o facto de eles estarem envolvidos no seio desta dinâmica permite que eles se tornem mais autónomos, que tomem decisões próprias, que se insiram na dinâmica de grupo e naturalmente a autonomia deles é favorecida. E em todas as viagens que vão jogar fora, para o estrangeiro, eles não têm o domínio dos pais e isso acaba por ser muito bom para eles se tornarem cada vez mais autónomos.


A presença dos pais em jogos e treinos é importante para as crianças?
É. Se for uma presença regular e moderada acaba por ser benéfica. Por isso é conveniente que os pais acompanhem os filhos na prática desportiva. A presença dos pais é importante. Só será má quando eles adotam comportamentos inapropriados e começam a pressionar os filhos, a questionar as decisões dos treinadores e a qualidade dos colegas. Isso faz com que os atletas tenham grandes problemas. 

Por exemplo, quando eu tava no Sporting tínhamos um atleta, na altura com 11 anos, foi dos melhores jogadores que eu vi em toda a minha vida! Era um jogador fantástico! Só que tinha um problema, treinava bem durante a semana (os pais não eram de lá e não podiam assistir) e a semana corria sempre bem. Ao domingo o pai ia ver o jogo, enquanto  jogo corria bem não havia problema. Ao primeiro passo que ele falhasse, a primeira falta que fizesse e era desnecessária, ele começava a olhar para o pai, que tinha sido também jogador de futebol e começava a chorar e eu tinha de o tirar do campo. E ele não deu jogador de futebol, está agora num clube de menor dimensão, amador, mas tinha todo um potencial para ser um grande craque.

De que forma o comportamento dos pais influencia (positiva ou negativamente) as crianças?
Qualquer comportamento negativo (pais a chamar nomes aos árbitros, a criticar os colegas, os adversários, a prestação do próprio filho e a dar continuamente indicações aos jogadores) cria-lhes transtorno e baralha-lhes a ideia de quem são os seus adultos de referência nos vários contextos.

Os comportamentos dos pais em jogos de futebol dos filhos têm sido alvo das atenções públicas pela negatividade que apresentam. Porque é que estes pais adotam este tipo de comportamentos?
Muitas vezes eles tentam projetar nos filhos aquilo que eles não foram e gostavam que os filhos fossem. Jogadores de excelência ou que atingissem determinado nível competitivo; que eles próprios não atingiram. Ou seja, projetam a sua sombra nos filhos e ao verem que os filhos não estão a conseguir esse objetivo, de certa forma, descarregam as suas frustrações nesse contexto. Outras vezes são mal educados e não conseguem ter a perceção disso.

O que precisam os pais dos atletas mais novos saber para que sejam adotados comportamentos mais corretos?
Eu acho que os pais sabem as consequências que os seus comportamentos podem ter nos miúdos. Não lhes dão é a devida importância. Quando um pai adota comportamentos negativos percebe que aquilo não está a ser positivo. Acho que é mais um caso de inconsciência.

Que papel devem desempenhar os pais?
O papel dos pais é um papel de suporte, de presença. Claro que estar num jogo, não digo que os pais tenham de ir a todos os treinos ou jogos, mas é óbvio que os filhos gostam que os pais vão, que assistam, que apoiem a sua equipa e que os apoiem. Um pai não tem de estar sempre a dizer a um filho que ele jogou bem, quando ele jogou mal. O filho também percebe isso. Agora, se o pai lhe fizer uma perspetiva correta de qual foi o seu desempenho, focando-se sempre que, mais do que a performance desportiva, o importante é ele praticar desporto, respeitar os colegas, os adversários, o árbitro e o treinador. Qualquer criança nesta situação, sente-se motivada para continuar porque sente confiança dos pais. Um pai que diga sempre ao filho que ele jogou muito bem, que foi o melhor, o filho percebe claramente que aquilo é mentira e não valoriza essas declarações.

Quais as consequências para os filhos de pais que adotam comportamentos incorretos na bancada?
Depende. Mas de uma forma genérica, se as crianças sentem o comportamento incorreto dos pais, elas podem ficar apreensivas perante a sua equipa. Podem sentir-se desmotivadas ou até mesmo abandonar a prática. Uma criança que não se sente confortável com o comportamento do seu pai na bancada não gosta de estar naquele contexto e pode não querer jogar.

O que deve ser feito para reduzir estes comportamentos em termos regionais e nacionais?
Eu acho que tem sido feito cada vez mais e há clubes a terem esse tipo de preocupações. Realizando palestras para os pais. A própria comunicação social tem dado um ênfase que ajuda a consciencializar sobre esta realidade. O caminho a  percorrer deve ser o de formar os pais para o papel que eles têm. E isto cabe não só aos clubes como é uma questão de cultura geral. Algumas das estratégias que se adotam quando se percebe que alguns pais são muito interventivos no treino e o prejudicam são organizar jogos , aulas e contratar alguém para andar à volta do campo, durante os treinos e jogos, para falar com os pais e assim evitar que estes destabilizem.

O que tem a dizer acerca da escolha por parte dos pais dos desportos para os seus filhos?
A escolha do desporto muitas vezes também reflete o estatuto social dos pais. Cada vez mais há uma tendência para não colocar os filhos em desportos coletivos e coloca-los em desportos elitistas (ténis, judo…). Mas devem ser os miúdos a escolher a prática desportiva que querem e na qual se sentem bem e felizes. O facto de os pais colocarem os filhos numa modalidade para que possam experimentar não é mau, desde que, no momento em que as crianças percebem o que gostam, lhes seja dada a liberdade de escolha. Porque ninguém fica numa modalidade obrigado e isso levará ao abandono.




Trabalho realizado por:
Rute Cunha