sábado, 31 de outubro de 2015

"E a nós, jornalistas, como nos vêem?"






Numa época em que a Comunicação Social têm grande influência na forma como vemos o mundo, decidimos ir para a rua saber a opinião das pessoas em relação ao jornalismo e aos jornalistas em Portugal. Como futuros jornalistas, tivemos curiosidade em conhecer a realidade vista do outro lado, ora veja!



Grupo 9 - Jornalismo e Profissão
Rita Rosa
Fábia Cortinhas
Inês Santos

A Arquitetura como um todo



Marco Tavares de 24 anos, estudante de arquitetura madeirense, veio para lisboa para encontrar a sua paz a nível arquitetónico. Nesta entrevista irá mostrar-nos um pouco do seu mundo artístico, como tudo começou e as suas ambições.

Quando soubeste que tinhas entrado no curso de arquitetura, quais foram os pensamentos que te vieram a cabeça e as emoções que sentiste?
Foi o misto de emoções natural de quem anceia uma nova etapa, mas emancipação de pouca dura ao me aperceber a longa caminhada que vinha pela frente.

O que fez escolheres o curso de arquitetura?
O habitar!
Marco a fazer um esboço arquitétónico
Esse espaço que se manifesta por natureza, como espírito e a vontade de existir. trabalhar sobre o eco das determinações subentendidas na ultima frase é a materialização do que me levou a escolher arquitetura.

Qual o arquiteto que mais aprecias e qual é a obra que mais gostas?
   Não tenho propriamente um arquiteto que mais aprecio, nem uma obra que mais gosto. Tenho antes várias referências, objeto de conhecimento e contemplação, de descoberta e proximidade de pensamento.

Sabemos que a arquitetura é uma arte que está em constante evolução o que achas da arquitetura contemporânea?
Critico a regularidade e ordem rígida de um número considerável de novas conceções arquitetónicas, fazendo um paralelo com a irregularidade viva das cidades históricas, que permitem uma perceção do efeito estético e perspético das relações de proporções entre edifícios. Paralelo esse que é evidência de que não existe verdadeira arquitetura quando se ignora o que já foi feito no passado, de onde tiramos todas a lições para aplicar com a ajuda do progresso tecnológico.

Para ti o que é a arquitetura?
  É sociologia, psicologia, economia, política, é escultura, é cinema, fotografia, pintura, jornalismo de investigação, carpintaria, é o palco, é o abrigo... é tudo aquilo que queiramos que seja sobre o elemento máximo, a luz!

A arquitetura é uma arte de fácil execução? Quais os seus procedimentos?
Os procedimentos em arquitetura são variados, cada projeto é único e podem ser utilizados diferentes métodos para a solução de cada problema. São colocados em consideração e análise fatores como o local e a envolvente, aspetos técnicos e estéticos, a luz, os custos, acessos, além da importância do programa arquitetónico, são algumas das exigências para a execução do projeto.

Para ti qual é a maior dificuldade nesta área? E como a tentas ultrapassar?
A maior dificuldade a nível pessoal tem que ver com a vertente de software da arquitetura, uma vez que tenho preferência e sinto mais proximidade com processo manuais que são mais interativos, como o desenho à mão e o maquetismo. Para superar essa dificuldade o desafio só exige prática.

Tens alguns hobbies que complementes com esta arte?
  A pintura, mas ainda não descobri a que ponto pode contagiar a arquitetura, porque a arquitetura faz-se num misto de razão e emoção e a minha pintura faz-se da segunda e da desconstrução da primeira
                                              
Quais as tuas ambições?
  Servir a sociedade por via da arquitetura, pensar e projetar arquitetura e urbanismo, o necessário, o prioritário, o útil. desde uma cozinha comunitária a bairros inteiros de habitação, desde o arranjo de pequenos logradouros a grandes espaços público.

Maqueta de estudo












Frederica Wilbraham

“Acabou com a ideia romântica que eu tinha de jornalismo (…) ”



A Escola Superior de Educação de Coimbra é apresentada com o slogan “Formação Orientada para a Profissão”. É precisamente com essa frase de boas-vindas que Patrícia Gouveia, uma jovem de 22 anos, licenciada em Comunicação Social na ESEC, espelha o seu período de estágio integrado no Diário de Notícias da Madeira







O estágio correspondeu às suas expectativas?
Não. O estágio superou completamente as minhas expectativas. Cheguei uma bebé nas andanças do jornalismo e sinto que saí de lá uma melhor profissional e que o estágio contribuiu também para o meu crescimento pessoal. Relativamente ao estágio em si, superou de longe as minhas expectativas, não estava à espera com o que me iria deparar no Diário de Notícias da Madeira, até porque não estava nos meus planos ir para lá estagiar. Hoje posso dizer que agradeço tudo o que aprendi lá, certamente que serão conhecimentos que irei aplicar num futuro próximo.

Qual era a percepção que tinha do que ia fazer antes de iniciar o estágio?
Antes de iniciar o estágio ia com medo. Ouvia histórias de pessoas que tinham servido cafés, tinham atendido telefonemas e eu, apaixonada por esta área como sou, queria chegar e ir logo para as entrevistas, falar com as pessoas, contar histórias… Foi esse o meu medo antes de entrar no estágio. A percepção que eu tinha era mesmo essa, que se calhar não ia fazer o que eu realmente queria, mas enganei-me redondamente porque fiz o que queria e muito mais até.

Sentiu que foi bem recebida?

Completamente. No primeiro dia, estava lá toda a gente a tentar integrar-me. Tive professores durante o estágio, que me acompanharam, deram sugestões, fizeram-me críticas construtivas e que me puseram à prova. Tenho a certeza de que se não tivesse sido assim tão bem recebida, o estágio não me tinha corrido da maneira que correu.

Que tipo de obstáculos teve de enfrentar no decorrer do estágio?
Um dos principais obstáculos foi na primeira saída da redacção, porque estive ao lado de jornalistas que já têm anos de experiência, enquanto que eu estava na minha primeira semana. Era esse o meu grande medo, sentia-me constrangida, pois tinha receio de fazer algo errado, de escrever algo errado. Mas percebi que fazia parte, pois errei várias vezes, mas não voltei a cometer os mesmos erros porque só assim se aprende. 

Acha que o tempo do estágio é suficiente para perceber como funciona o mercado de trabalho?
É uma ponta de um icebergue. No final do estágio já estava a perceber mais ou menos como é que o mundo do jornalismo funciona. Acabou com a ideia romântica que eu tinha de jornalismo, algo espectacularmente bonito e muito “cor-de-rosa”. Percebi que não é assim, é um pouco frio, o primeiro que chegar é o que tem a oportunidade. Comecei a perceber isso mais no fim do estágio. Acabou com a ideia romântica que eu tinha do jornalismo inicialmente. Porém, tive a sorte de escolher uma boa empresa que me deu a possibilidade de conhecer grandes personalidades e de participar em grandes projetos com um elevado impacto a nível nacional que hoje posso juntar ao meu portefólio.

Conseguiu estabelecer contactos que lhe sejam úteis futuramente?

Sim, todos os contactos que façamos durante o estágio são sempre úteis. A primeira coisa que me disseram quando entrei na redacção foi “Atualiza a tua lista de contactos, é a tua melhor amiga, a tua melhor aliada. O segredo de um jornalista é guardar a sua lista de contactos”. Fiz vários contactos que penso que, se um dia necessitar, seja para fazer mais uma entrevista ou uma notícia, estarão dispostos a colaborar e a ajudar.

Qual foi a maior lição que retirou desta experiência?
Não ter medo, ir de cabeça mas com calma. O medo faz parte mas não devemos deixar que os outros notem que o temos, dessa forma começarão a olhar-nos de forma diferente. É preciso mostrar garra, que estamos nisto porque queremos e é por isso que é necessário que nos guiem independentemente de como está o mercado de trabalho. Mesmo que digam que o jornalismo está a morrer, temos de olhar para isto como se fosse “a última Coca-Cola do deserto”. É isso que devemos pensar, é a lição que se deve levar: nunca termos medo e também nunca desistirmos porque coisas boas podem acontecer a qualquer instante.



Laura Tadeia 2013119 (Grupo 1)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Um futuro incerto




O jornalismo é uma profissão muito procurada e desvalorizada, segundo Tiago Adelino.
Recém-licenciado em Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra, este jovem encontra-se em estágio profissional num jornal regional, o Trevim.
Tendo a paixão pelo desporto e sendo treinador de futsal, sempre se viu a trabalhar nessa área. Porém, viu-se na obrigação de escolher um jornal mais abrangente, onde escreve diariamente sobre vários temas.









Qual era o teu objetivo antes, durante e após a licenciatura?
Entrei em comunicação social porque sempre gostei de escrever e como também gosto bastante de desporto queria trabalhar na área do jornalismo desportivo. Entrei com esse objetivo, mas com o aproximar do estágio curricular comecei a trabalhar e isso fez com que tivesse abdicar do estágio no Record em Lisboa para estagiar num jornal da imprensa regional, o Trevim. Contudo, durante o estágio vi que afinal nem tudo era mau e que até tinha jeito para escrever sobre outras áreas. Fruto disso, acho que hoje em dia seria capaz de trabalhar em qualquer jornal nacional.

Onde fizeste o teu estágio curricular?
Fiz o estágio curricular num jornal da imprensa regional, o Trevim, da Lousã.

Qual é que tem sido o teu percurso após a conclusão do curso?
Como só acabei o curso no ano passado, o meu percurso ainda não é muito longo. Estive algum tempo parado e, entretanto, comecei a fazer um estágio profissional no jornal onde fiz o estágio curricular, o Jornal Trevim.

Foi fácil a integração no mercado de trabalho na área que te especializaste?
Confesso que não é nada fácil encontrar trabalho na área da comunicação social. É um mercado com muita procura e pouca oferta. Tive a sorte de terem gostado de mim quando fiz o estágio curricular e quando saiu uma pessoa chamaram-me logo.

Gostarias de arriscar em outra área da comunicação Social?
Sempre gostei mais da área do jornalismo e informação, mas se fosse hoje talvez tivesse escolhido a vertente da criação de conteúdos para os novos media. Não porque goste mais, mas porque, na minha opinião, é mais abrangente para as pessoas que entram no nosso curso. Por exemplo, no meu ano, as pessoas que seguiram esse ramo, foram as que entraram mais facilmente no mercado de trabalho.

O que prevês para o teu futuro?

O futuro não é risonho para os profissionais desta área. Como já referi, cada vez há menos oferta para tanta procura. E a oferta que há deixa muito a desejar. O jornalismo já não é o que era. É cada vez mais uma profissão desvalorizada. Trabalhamos muito e ganhamos pouco. Como tal, prevejo que o futuro não será fácil. Apesar de gostar do trabalho que faço, temo que um dia tenha de procurar trabalho noutra área.



Grupo 4 
Ana Francisco
Daniela Silva
João Sobral
Valentina Ardagna

ASSOCIAÇÃO ENTRE PEDRAS, ONDE A TRADIÇÃO CHEGA ÁS NOVAS GERAÇÕES


   Enquanto se fala muito de crise financeira e da falta de dinheiro, entrevistámos o presidente da Associação Entre Pedras, Luís Duarte .
Aqui está a prova de que com a força de vontade de 19 jovens e com algum investimento deles, foi possível reactivar uma antiga escola primária, na localidade de Malhadas, que se encontrava abandonada e com alguns sinais de degradação. Impedindo assim que o sítio onde a maior parte deles aprendeu a ler e escrever, caísse nas “mãos erradas”.



Pode explicar aos leitores onde nos encontramos?
Estamos na pequena aldeia de Malhadas, localizada no concelho de Soure, e estamos dentro de uma escola primária que já estava desactivada há mais de 10 anos, já estava a entrar em estado de degradação, já tinha vidros partidos, e um grupo de jovens da aldeia (e não só) uniu-se para restaurar a escola onde juntos aprenderam a ler e a escrever, passando assim a ser a sede da Associação Entre Pedras.

E como apareceu a ideia de criar a Associação Entre Pedras?
Isto é uma ideia que já vem de há alguns anos. Resultado de um evento que organizamos todos os anos, que é o passeio de motorizadas. No passeio, ao qual demos o nome de “Entre Pedras”, juntamos pessoas de todas as gerações para darmos um passeio pela região, obviamente de motorizada. Não é só pelo convívio em si, é também para dar a conhecer a nossa região aos participantes.
Portanto a criação da Associação “Entre Pedras” surgiu porque precisávamos de um “sítio legal”, uma espécie de escritório onde pudéssemos organizar o passeio e outras actividades, assim como precisávamos de um sítio onde os jovens pudessem conviver.
Acabámos por dar o nome de Associação Entre Pedras porque o nome já era conhecido do passeio das motorizadas, então resolvemos não mexer.

Porque escolheram renovar a escola?
Descobrimos que a escola estava à venda em leilão e que qualquer particular a poderia comprar. Logo nos apressámos para impedir que alguém de fora comprasse o edifício, até porque seria uma perda enorme para a gente desta aldeia ver a escola que frequentaram ser demolida ou algo do género.
No entanto quando tivemos esta ideia, nunca pensámos que do ponto de vista legal fosse tão complicado. Contudo entre burocracia e mais burocracia, lá conseguimos a autorização da Câmara Municipal para podermos usar o edifício e avançarmos com os arranjos necessários, mas sempre mantendo as linhas originais do edifício.

Já se sabe que qualquer obra necessita de investimento monetário, como é que resolveram esse problema?
Bem, inicialmente na primeira reunião com o Presidente da Câmara Municipal, ele prometeu-nos os materiais para realizarmos as alterações necessárias. Mas como não podemos ficar parados à espera do que pode não vir, decidimos avançar, comprámos os primeiros materiais com o nosso dinheiro, vernizes, madeiras, tivemos muita ajuda de particulares, e de empresas que mesmo tendo facilitado as datas de pagamento dos materiais ainda ofereceram os vidros e as paletes que usámos para fazer o balcão e as cadeiras. Foi tudo feito por nós, reunimos aos fins de semana e toda a gente ajudava.
Se estivéssemos à espera do apoio da Câmara Municipal, ainda não teríamos feito nada. Por isso a palavra de ordem desta Associação é: tomar a iniciativa. Sem iniciativa não se faz nada.

Como está a correr o projeto até agora?
Está a correr muito bem. Neste momento a Associação está a funcionar totalmente. Podemos dizer que o projeto está a ter sucesso, visto que encontramos aqui pessoas de todas as faixas etárias. E aos fins de semana muita gente dirige-se até aqui para tomar o seu café, ou só para conviver.

O que é que podemos esperar para o futuro?
Vamos continuar a criar actividades, temos já prevista uma noite de Halloween para dia 31 de Outubro. Estamos a pensar também em organizar um magusto como antigamente, fazendo uma fogueira no chão, assim como queremos também organizar noites de fados, e de música ao vivo.


José Lourenço 20140738
(Grupo 6)

"Urgência" Teatro Radiofónico



Interpretação do texto "Urgência" por Sara Pestana, Roberto Quintas e Frederica Wilbraham. Música "Golden Arrow" de Darkside
Grupo 7

“Nunca é tarde para aprender”

     O Governo de José Sócrates incentivou os mais velhos, ou os que deixaram o ensino prematuramente, a voltar a estudar para que o nível de escolaridade do nosso país subisse. Para isso contribuíram projectos como “Novas oportunidades” ou “Curso de Educação e Formação de Adultos (EFA)”. Milhares de portugueses agradeceram esta iniciativa e, agora, estão um pouco mais cultos com as novas aprendizagens, como vamos poder observar na entrevista a José Marques, 46 anos, electromecânico de profissão, natural de Coimbra.



Porque deixou a escola na sua juventude? E em que ano de escolaridade?
Na altura não gostava de andar na escola, andava desmotivado, a gastar dinheiro aos meus pais e queria ir trabalhar. Surgiu uma oportunidade de emprego que não podia recusar e deixei a escola. Saí no final do 6ºano, com as aulas dadas pela telescola.

Achou uma boa medida do governo de José Sócrates estas novas oportunidades, entretanto extintas, para os que desistiram do ensino “normal”?
Claro que achei! Nunca é tarde para aprender. Voltou a motivar muitas pessoas a voltar a estudar, como foi o meu caso. Se não fosse esta iniciativa não sabia usar um computador por exemplo.

Qual foi a principal razão que o levou a frequentar o curso EFA?
Seguir com os estudos (depois de concluir as “Novas Oportunidades”, que me  deu equivalência ao 9ºano), adquirir mais conhecimentos a nível pessoal e profissional, conhecer novas pessoas e por ser um novo desafio.

Quanto tempo esteve a frequentar o curso EFA?
Três anos e meio, 40 meses mais ou menos.

O que aprendeu no curso EFA?
Nos diferentes módulos, aprendi matérias que me despertaram muita atenção, aprendi muitas coisas que desconhecia por completo. Por exemplo, no módulo de CP (Cidadania e Profissionalismo) estudei a liberdade e responsabilidade democráticas, as desigualdades sociais, o racismo, códigos deontológicos, discriminação, em STC (Sociedade, Tecnologia e Ciências) estudei os impactos ambientais, as alterações climáticas, o DNA, em CLC (Comunicação, Linguagem e Cultura) estudei a política de reciclagem (3 R’s)… Todos estes temas sensibilizaram-me e surpreenderam pela positiva.

Que principais dificuldades enfrentou no curso EFA?
No curso a língua inglesa foi um grande problema! No geral foram tempos de grande sacrifício pessoal e familiar porque ir todos os dias, das 19h as 23h, depois de um dia cansativo de trabalho, não é fácil. Foi preciso muita força de vontade e o companheirismo e apoio do meu grupo foi crucial.

Sente que foi uma experiência enriquecedora?
Muito! Aprendi muitas coisas novas que me fizeram sentir mais realizado, com mais cultura. Evolui pessoalmente e profissionalmente, nas novas tecnologias do meu trabalho, cada vez mais úteis para o meu dia-a-dia. Conheci grandes amigos, novas pessoas, com quem aprendi muito e com as quais ainda mantenho contacto. Foi uma grande experiência.

Acha-se capaz de seguir os estudos? De que forma?
Em mais cursos profissionais porque não? Os convites têm surgido e alguns mantêm-se de pé. Um dia, quem sabe.

No meio profissional algo mudou com as suas novas habilitações?
Não mas porque não aceitei novos cargos, superiores, que me foram propostos. 


Grupo 6
Bruno Simões 20140566

Podcast - Grupo 2 "Um universitário também chora"

"Para os estudantes do mundo inteiro, a entrada no ensino superior é um momento de grandes expectativas. No entanto, a primeira semana de aulas é o suficiente para "filtrar" os resistentes. É que nem tudo é fácil... E um estudante universitário também chora: Mas quando? Quando..."


Grupo 2 (Márcio Pereira, Fábio Mendes, Leonor Gonçalves e Jonny Xavier)

"Sem música a vida é uma travessia no deserto"

Helder Micael Reis, ex-estudante de 25 anos, dedica-se à música desde muito jovem. A música para ele é uma paixão, pelo que ele escolheu o saxofone como o seu instrumento predilecto. Actualmente, Helder faz parte de uma banda onde é saxofonista.




Com que idade é que decidiste dedicar parte do teu tempo à música?
Iniciei quando tinha 8 anos de idade. Primeiro com aulas de formação musical até aos meus 11 anos de idade, então daí comecei a tocar saxofone.

Quantos instrumentos é que experimentaste antes de escolheres o saxofone?
Não foi realmente a minha primeira opção. Experimentei apenas mais um, o trompete. Tive aulas durante um ou dois meses, mas não me identifiquei com o instrumento. Entretanto, foi-me aconselhado a assistir a aulas de outros instrumentos e aí sim, escolhi saxofone e nunca mais me ocorreu mudar.

Como é que te apercebeste que o saxofone era o instrumento que pretendias praticar?
Não tenho nenhum motivo em especial. Quer dizer, inicialmente foi pelo som e pelo instrumento em si, que considero ser bastante bonito. Mas depois, nos meus primeiros tempos de aulas de iniciação ao instrumento, inscrevi-me em alguns workshops de músicos profissionais, que na altura eu nem dava grande importância, mas que eram sem dúvida grandes profissionais, e nos quais havia sempre vários concertos para demonstração de interpretação musical e técnica do instrumento. Foi talvez por essa altura que me "apaixonei" realmente pelo instrumento. Era ainda um miúdo, mas ao ver o quão versátil pode ser o instrumento, pelos mais variados tipos de música nos quais se enquadra (jazz, rock, pop, clássico, bossa-nova, reggae,...) fiquei fascinado e deu-me muita vontade de aprender e dominar o saxofone.

Em quantas bandas é que já exerceste a função de saxofonista?
Nem eu sei ao certo. Foram várias. Comecei numa banda filarmónica da minha freguesia tinha eu cerca de 13 anos. Entretanto, após alguns concursos nos quais fiquei bem classificado e alguns concertos nos quais toquei a solo, comecei a fazer concertos em várias bandas. Talvez doze, treze bandas não sei bem ao certo.

Como músico, já viajaste bastante em serviço. Quais os lugares mais interessantes que já alguma vez visitaste?
Todos os anos viajo pelo país e conheço lugares novos e muito bonitos, assim como já toquei vários concertos em Espanha. É difícil nomear o mais interessante. Sendo que tendo visitado várias romarias festivas e alguns festivais como músico, conheço bastantes costumes, gastronomia e paisagens de várias zonas. 

Para ti, a música é apenas um hobby ou pretendes dedicar-te a nível profissional?
Para mim é mais que um hobby, é um estado de espírito, é algo essencial para o meu dia a dia, adoro tudo aquilo que aprendi e que tenho aprendido com a música e a maneira que me faz sentir quando toco e ouço. Quanto a ser profissional nesta área, quem sabe talvez um dia, até agora não tive essa oportunidade, até porque estive ocupado com os estudos, mas gostaria de aprender mais e tenho vontade de o fazer assim que surgir oportunidade.

Será que ainda te vês a tocar saxofone numa banda daqui a alguns anos?
Espero tocar sempre, não sei até quando numa banda. É certo que não deixarei de tocar saxofone. Sem música a vida é uma travessia no deserto.




Miguel Reis, nº20140121

Grupo 6

O saber, para ela, continuará a ocupar o mesmo lugar



A Escola Superior de Educação de Coimbra é um espaço simbólico para Ana Nunes. Foi lá que se licenciou em Comunicação Social, e é lá que vai continuar o seu percurso académico, no mestrado em Comunicação e Marketing. Um complemento na sua aprendizagem, que, curiosamente, a própria compara ao desejo por “um docinho depois do jantar”. 

Uma das variantes importantes do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra é o estágio curricular, feito no 2º semestre do 3º ano. Qual é que achas que é  a mais-valia deste estágio?

Há cursos que não têm estágio e por muito que o trabalho seja bem feito, esses trabalhos não nos colocam na realidade do mercado de trabalho. É no estágio que se percebe como é o dia-a-dia de uma redacção. Um estudante de outro curso de comunicação/jornalismo muitas vezes no fim do seu percurso académico questiona-se até que ponto é que ele tem experiência para enfrentar o mercado de trabalho. O estágio dá-nos isso - experiência. Além de um contacto, quer com o mercado de trabalho, quer com as fontes. 

Quais foram as principais dificuldades no processo de escolha do local do estágio?

A principal dificuldade residiu no facto de a ESEC não ter protocolos com as empresas que talvez eu estivesse mais identificada. Lembro-me que a ESEC tinha protocolos com o Hospital de Coimbra, com a Câmara Municipal que são boas instituições mas que na nossa área não se enquadram muito bem. O que temos, ou neste caso tivemos de fazer foi, arranjar, procurar e ver quais eram os locais em que nós gostaríamos de estagiar, fazer uma lista (não muito grande) e entregar essa lista aos professores. Depois ao professor coube a tarefa de criar aquela ponte de comunicação entre a ESEC e a empresa. Falando do meu caso, escolhi uma produtora para realizar o meu estágio – não fui a única diga-se -, e depois da professora ter feito os contactos tive que esperar 3 meses para receber um não. O estágio para alguns colegas meus começou em Dezembro, para mim começou em Abril – a diferença é grande. Depois de ter recebido o “não” por parte da empresa, as ofertas eram mínimas e teve de se arranjar uma solução de recurso. 

Quando se está num estágio, seja ele curricular ou profissional, há uma montanha-russa de preocupações e expectativas. Como foi gerir o dia-a-dia e ao mesmo tempo pensar a longo –prazo?

Quando se vai para um estágio, seja ele curricular ou profissional, vai-se sempre com a expectativa em alta. Alguns estágios correm bem, outros estágios correm mal. Uns correspondem às nossas expectativas, e superam até, outros não. No meu caso gostei do estágio, porém as perspectivas para o futuro, dentro da área, não cresceram. 

Ou seja, o estágio até te enriqueceu e preparou-te melhor para o mercado do trabalho, mas não te deixou com a segurança de que é nesta área que tu queres “crescer” profissionalmente

Exactamente. Foi ter a expectativa de querer trabalhar nesta área, querer estagiar e ter um bom estágio relacionado com aquilo que estudamos e depois chegar ao fim do estágio e pensar “Afinal não era isto que eu queria”. E quando isso acontece, há que procurar outras hipóteses.

 Mas essa mudança de rumo aconteceu devido a um pormenor menos positivo no estágio ou à própria competitividade do mercado de trabalho?

Percebi que o mercado de trabalho é muito competitivo, aliás o meu estágio até correu lindamente e as pessoas foram “5 estrelas”.  Mas o ambiente e o dia-a-dia- fizeram-me repensar que se calhar não era isto que eu queria. Também por muito que o estágio corresse lindamente, o facto de não ser na área específica que eu queria, fez-me querer alargar os meus horizontes e procurar qualquer coisa nova. 

No meio deste autêntico turbilhão, quando e porque surgiu a ideia do mestrado?

O estágio serviu para muita coisa. Foi um momento essencial e fundamental nestes 3 anos e serviu para acabar o curso. Acabou por ser um misto de sentimentos para mim. Foi pensar que aquilo era necessário, mas por outro lado também pensei que não era ali que eu queria estar, apenas a força das circunstâncias conduziram a esse desfecho. Essa instabilidade emocional acabou por fazer-me abrir os olhos e pensar que podia alargar os meus horizontes. Estás a ver quando uma pessoa no fim do jantar quer um docinho? (risos) Eu quando acabei o curso senti que faltava qualquer coisa. Achei que era o mais indicado. E não estou a fugir muito à licenciatura que tirei…

Depois da oferta formativa em Comunicação Social, a ideia do mestrado e Marketing e Comunicação surgiu como uma intenção de complementar a formação anterior ou procurar novos conhecimentos?

As duas coisas. Faltava qualquer coisa, portanto isto que eu vou fazer vai ter de ser um complemento à formação que tive, mas também será a busca de novos conhecimentos pois numa das áreas (marketing), eu não tenho bases e por isso vai ser uma forma de aprender algo de novo. É uma nova área para mim.

Consideras que com a competitividade do mercado de trabalho, fazer um mestrado tornou-se ainda mais importante para a formação de um jovem?


Hoje em dia é muito importante para um jovem ter uma formação académica completa. Como podemos ver, há pessoas que tiram a licenciatura, o mestrado e o doutoramento e mesmo assim não têm oportunidades de trabalho. Qualquer tipo de formação é importante para nós, jovens, e mesmo para os que já não são tão jovens podem querer saber mais. Porém nos tempos que correm não consigo dizer que tirar um mestrado é uma mais-valia. Só quando eu acabar o meu é que posso dizer isso (risos)…

                                                               Jorge Fernandes (20140104)


Longe do lar, perto do sonho

Estar longe de casa é afastarmo-nos de uma parte de nós


Jéssica Bárbara, 21 anos, nascida na Madeira. O desafio começou há três anos atrás, juntamente com a sua candidatura ao ensino superior. A cerca de 1000km do seu lar, é agora Coimbra quem a acolhe. Apesar da saída do arquipélago para o continente ter sido desde sempre a sua vontade, esta decisão trouxe consigo vários obstáculos, bem como grandes conquistas.

A conclusão do ensino secundário é, para muitos jovens, sinónimo de ingresso no ensino superior. Jéssica traz-nos o seu testemunho, relatando tudo aquilo por que passou com esta mudança.
Esta experiência começou com a sua entrada no Instituto Superior de Comunicação Social, em Lisboa. O que a estudante mais temia acabou por acontecer e, tal como nos conta, “nunca tinha andado de avião, nem conhecia Lisboa, onde fiquei colocada na primeira fase. O sentimento que mais pairava era o medo. Também receava ser mal acolhida pelos meus novos colegas.Habituada a um ambiente mais acolhedor, a capital acabou por não corresponder às suas expectativas, sentindo-se desintegrada e desconfortável.
Com um espírito pouco conformista, a jovem madeirense sentiu necessidade de voltar a mudar. A sua vontade de encontrar uma realidade com a qual se identificasse, fê-la arriscar. “Candidatei-me à segunda fase e fui parar a Coimbra. A grande dificuldade foi, novamente, passar pelo mesmo processo do “ desconhecido” e por estar a chegar a uma nova cidade sozinha”. O curso de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra foi a sua escolha final.
É graças a esta cidade e a tudo o que esta lhe proporcionou, que a estudante se sente hoje mais madura e independente do que no dia em que aqui chegou. Contudo, é difícil conjugar as duas realidades. Se em Coimbra conseguiu alcançar a estabilidade académica e social, a verdade é que cada vez lhe custa mais deixar para trás a sua terra natal. “Desde do início que lido bem com a distância, na minha opinião. Mas há uma dificuldade com que confronto todas as vezes que volto para Coimbra, que é a de ser cada vez mais difícil deixar as pessoas mais importantes da minha vida. Isto deve acontecer pelo facto desta cidade já não ser a cidade desconhecida.
Prestes a concluir a sua licenciatura, Jéssica Bárbara conhece de forma íntima o sentimento que é a distância. Confessa-nos que esta é uma batalha de vitórias e derrotas. Na sua óptica, a distância tem um lado positivo, “se calhar porque o facto de estarmos longe coloca-nos numa posição de maior responsabilidade e reflexão sobre o que queremos fazer para estarmos tão longe de casa. Sair da nossa zona de conforto traz muitos benefícios a nível pessoal e profissional por estarmos sempre a aprender”.
Negativamente, o que lhe é mais doloroso é “estar longe da família e faltarmos aos momentos importantes dessas mesmas pessoas”. Contudo “há sempre vontade de voltar porque como diz Michael John Bobak,“Todo progresso acontece fora da zona de conforto.”
A futura jornalista deixa-nos com uma citação de Charles Darwin - “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Quem sobrevive é o mais disposto à mudança.”
Em suma, a vida de universitário reflecte-se num balançar entre o alcance dos nossos sonhos e em deixar para trás aqueles que nos permitem sonhar.























 Grupo 9 - Reportagem e Fotoreportagem
Rita Rosa
Fábia Cortinhas
Inês Santos

Uma tradição que não se adia… repete-se

Trabalho realizado por:
Gonçalo Teles
Joana Magalhães
Liliana Gonçalves
Leonardo Ramalho
Miguel Azinheira
Uma tradição que não se adia… repete-se

“E quem é o melhor pessoal? É o de Comunicação Social!”
Ouvem-se latas a bater no chão como chocalhos que guiam ao longo do caminho. Começou o Cortejo da Latada.
Envergando capa e batina, símbolo de igualdade, cada doutor encaminha o seu caloiro pelo trajeto que os guiará até às margens do Mondego onde serão batizados. Este ano, os fatos dos caloiros de Comunicação Social são diversificados – uns vestem-se de pacmans, outros de fantasminhas, uns de son goku, outros de deuses gregos – mas todos com uma característica em comum: uma perna azul e outra laranja, cores da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) – “Durante o cortejo desfilamos e exibimos os fatos que os nossos padrinhos fizeram para nós. Cantamos, com orgulho, o nosso hino de curso e o hino da ESEC. Invadimos fontes e molhamos os nossos fatos.” , disse Cátia Cardoso, estudante e caloira de Comunicação Social.
Entre muitos risos e esforço, os caloiros empurram o tradicional carrinho de supermercado ao longo da caminho enquanto, em conjunto com os seus doutores, cantam as músicas emblemáticas dos seus cursos e escolas. Os doutores dão a morder os seus nabos aos amigos, afilhados e familiares na esperança de ficarem apenas com a rama que, tal como manda a tradição, terão de atirar ao Mondego. O ambiente é de alegria, felicidade, e emoção – “No Cortejo podemos encontrar de tudo, é como uma loja dos 300, desde pessoas alegres devido à simbologia do evento bem como pessoas alegres por causa da presença do Deus Baco no seu corpo. Contudo o que mais encontramos é o espírito de familiaridade e de diversão que proporciona momentos únicos a quem vivencia o cortejo.”, conta-nos Ricardo Lomar, estudante do 3º ano de Comunicação Social.

             Imagem 1 - Caloiros durante a praxe                        Imagem 2- Tradição de morder os nabos

O dia torna-se longo quando o caminho se faz de forma lenta e pausada. A praça está cheia e é difícil passar entre as centenas de estudantes que se reunem nessa zona. Os cursos “guerrilham” entre sim cantando os seus hinos. Ao longo do percurso desde a praça  até às margens do  rio, os caloiros entram nas fontes fazendo jogos indicados pelos doutores que acabam por se juntar aos afilhados entrando com eles para a água – “Um dos melhores momentos do cortejo, para mim, foi ver os meus doutores e o meu padrinho entrarem também nas fontes, fez com que sentisse que, tal como eles disseram, estão do nosso lado e jamais contra nós e não há motivo para que nos sintamos humilhados, praxe não é, de todo, humilhação.” , diz Cátia.
 Imagens 3, 4 e 5 - Doutores e caloiros na fonte do Jardim da Manga

Muitos pais viajam até Coimbra para festejar este dia com os filhos. Os rostos de alguns pais mostram preocupação ao vê-los entrar nas fontes já de noite, outros riem-se sabendo que faz parte da festa.
O percurso continua agora pela baixa, o destino está mais próximo. Os pés já dóiem, os caloiros molhados têm frio e já se protegem com as capas dos seus padrinhos e madrinhas. No entanto, não são esses fatores que os demovem e, em conjunto, dão seguimento à sua festa.
Ao chegar ao Parque Verde e de seguida às docas do Mondego, o ambiente torna-se mais calmo, os doutores traçam as suas capas e o batismo começa – “Para mim o Cortejo da Festa das Latas é um misto de sensações e situações que definem o convívio estudantil. O "Batismo com a água do Mondego" é para mim o ponto alto do evento. É o momento em que os afilhados sentem através das palavras dos padrinhos aquilo que lhes espera nos próximos anos enquanto estudantes de Coimbra.”, afirma Ricardo.
Imagens 6 e 7 - Batismo nas margens do rio Mondego


Os penicos enchem-se, os doutores dizem algumas palavras aos afilhados, a água escorre pelas cabeças dos caloiros. Abraços, lágrimas e muita emoção descrevem o momento final do cortejo da Latada – “O dia termina com o batismo em que as palavras de quem nos batiza valem mais que tudo. Para quem está de fora, vê os estudantes de Coimbra desfilar, cantar e gritar, mas nós sentimos cada minuto e isso é inexplicável.” , afirma Cátia com emoção. De novo ao som dos seus hinos de curso, os doutores atiram a rama dos seus nabos ao Mondego e o percurso fica concluído: foi mais um cortejo da Latada.

O Cortejo da Latada insere-se na Festa das Latas e Imposição de Insignías. Esta festa tem origens no século XIX, apesar do formato atual ter nascido nos anos 50/60, e tem como principal objetivo festejar o início das atividades letivas e dar as boas vindas ao novos alunos – os caloiros.
Atualmente a festa inicia-se com a Serenata da Latada, onde são interpretados os fados estudantis de Coimbra, e prolonga-se por cinco dias de atuações musicais no recinto da Latada – Queimódromo. O culminar da festa é o cortejo, onde os caloiros desfilam com os fatos que os seus padrinhos fizeram. A compra de nabos e a entrada nas fontes é mais uma tradição do cortejo que acaba com o famoso batismo dos caloiros no Mondego.  “O cortejo, que culmina com o batismo no Mondego, é talvez o nosso primeiro grande momento nesta cidade tão especial.” , diz Cátia.
Este ano, 2015, devido às más condições atmosféricas e à emissão de um alerta amarelo por parte da Proteção Civil o cortejo da Latada que estava marcado para o dia 18  de Outubro foi adiado para o dia 25. Ainda assim, no dia 18 parte dos estudantes saíram na mesma à rua celebrando o dia. No dia 25 os estudantes voltaram a juntar-se para festejar o dia oficial do cortejo.
Numa cidade onde reina a tradição, as capas negras voltaram a sair para a relembrar e, desta vez, em dose dupla.
Fantástico é a palavra ideal para o caracterizar.”, afirma Ricardo.

Erasmus hoje...futuro amanhã


Francisco Machado, um recém mestre em Engenharia Mecânica, de 23 anos, dedicou dois anos do seu curso a fazer Erasmus em três países.
Primeiro Itália, depois França, seguindo-se Reino Unido.



Francisco, não só fizeste Erasmus num país, mas em três. Como foi a experiência?

Foi uma experiência incrível a todos os níveis! Em primeiro lugar, conheci imensas pessoas de diversas culturas, pessoas essas com as quais ainda hoje mantenho contacto e inclusive, pensamos mesmo em reunirmo-nos de novo num país diferente. Em segundo lugar, sinto que sou uma pessoa muito mais rica em diversos aspetos, nomeadamente, a nível cultural, pois tive oportunidade de vivenciar o dia a dia de três países diferentes. Por último, e mais importante, sinto que tirei um enorme proveito a nível académico destas minhas experiências Erasmus, onde aprendi imenso com os melhores da Europa, e também porque os métodos de ensino são ligeiramente diferentes de país para país.


Como te sentiste fora do teu país e longe das pessoas de quem mais gostas?

Sinceramente, no início, quando fui para Itália, pensei que a adaptação me fosse custar mais do que realmente custou, talvez devido ao facto de ir com amigos, a adrenalina que sentia por me lançar num país Europeu e por ir viver sozinho. No entanto, é óbvio que ao fim de algum tempo começamos a sentir saudades da nossa terra natal, nomeadamente, da roupa lavada e passada pela mãezinha, da comida na mesa e do convívio saudável com os meus amigos e obviamente as saudades da energia contagiante das duas cadelas loucas lá de casa, a Julieta e a Alice. Felizmente, por diversas vezes, por todos os países onde passei, essas saudades foram amenizadas pelas visitas frequentes de familiares e amigos aos mesmos ou por idas  minhas ao meu país natal nas épocas festivas.


Tendo estado em países tão diferentes, sentiste muitas diferenças a nível de adaptação e hábitos e costumes de cada um deles?

Talvez pelo facto dos três países onde estive serem países Europeus, essas diferenças não se fizeram sentir assim tanto. A comida era praticamente igual...se tivesse muita fome sempre podia ir a um fast food. A noite também é como a nossa, dá para nos divertirmos e bebermos à vontade, tal como a música que também era bastante agradável. A única grande diferença que notei foi em termos de preço...o nível de vida dos países em que estive era um pouco mais caro que Portugal. Outra das coisas que me custou a adaptar foi à falta de sol, pois aqui, o sol e os dias de céu azul são abundantes, enquanto que lá fora, foram imensos os dias com céu cinzento e chuvoso...já para não falar do frio que se sentia. Outra diferença, à qual me adaptei com facilidade, foi o facto de no Reino Unido a moeda ser diferente. Lá é usada a Libra Esterlina, que tem um valor um pouco mais elevado que o Euro e sempre que vinha  Portugal tentava sempre trocar algum dinheiro cá para não ter que pagar taxas de cambio em Cardiff sempre que fazia algum pagamento ou levantava dinheiro.


Qual foi o país ao qual mais te custou adaptar e porquê?

Sem dúvida alguma o Reino Unido, Cardiff. Por todas as razões e mais alguma e muito também porque estava mal habituado. (risos) Quando lá cheguei, foi um choque bastante grande, não só porque estava a viver sozinho, mas também pelo facto de ter ido para uma residência onde as condições não me agradavam, por exemplo, a cozinha e a casa de banho estavam sempre sujas, o facto de viverem cinco pessoas numa residência que tinha espaço para duas e por vezes, o barulho excessivo que se fazia sentir. Até a nível académico, onde na altura estava a terminar a minha tese de mestrado,  a experiência não foi a melhor porque me senti extremamente desapoiado pelo facto do meu orientador estar sempre ocupado. Claro que não o censuro, mas esperava mais apoio a esse nível, numa fase em que estava mesmo a concluir a minha investigação.
Ainda assim, nesse tempo, a minha família foi um grande pilar nesta minha etapa. Todos se uniram mais para me ajudar no que eu precisasse, o Skype foi usado para horas infindáveis de conversas e claro que a visita dos meus pais no meu aniversário foi indispensável. A minha namorada foi também uma ajuda fundamental para este tempo tenebroso em Cardiff. Ela sempre me apoiou imenso e ajudou no que fosse preciso.
Para terminar, fiz alguns amigos na residência com os quais, ainda hoje me dou bastante bem. Também eles me ajudaram imenso, principalmente o Dhruv, um rapaz Indiano, com um espírito e uma energia como nunca vi.
Mesmo com todas as adversidades, Cardiff foi um país que gostei imenso de conhecer, onde espero voltar um dia mais tarde.


Achas que o facto de teres quatro países no currículo (incluindo Portugal) te vai ajudar no teu futuro profissional/mundo de trabalho?

Apesar de considerar que na minha área, mesmo em Portugal, não seja difícil encontrar emprego, ter experiência lá fora, mesmo que apenas a estudar, ajuda, e muito, para o facto de arranjar um melhor emprego. Mas saliento que não acho o mais importante para o meu futuro profissional. Para mim, ser bom naquilo que se faz, e ter muita experiência prática é melhor do que qualquer experiência no estrangeiro.


Vês-te a trabalhar fora num futuro próximo?

Sem dúvida alguma . Como pessoa bastante ambiciosa que sou, quero ir para fora trabalhar. Talvez para Itália ou Suíça que são países bastante desenvolvidos na minha área. Não já, mas quando falo um futuro próximo, é talvez num prazo de 3 ou 4 anos. Até lá, tenho ainda assuntos por resolver em Portugal, para além do facto de querer ganhar alguma experiência de trabalho cá.
E obviamente que espero também que a minha namorada me acompanhe nessa jornada que pode ser o inicio da nossa vida em conjunto.


Algum conselho para quem queira pensar em fazer Erasmus?

Em primeiro lugar, e mais importante, é: não deixem de fazer Erasmus! Toda a gente tem saudades da família, dos amigos e da namorada, mas tudo isso é ultrapassável com o apoio de todos.
O único entrave que se possa colocar é talvez monetário, pois fazer Erasmus pode ser um pouco dispendioso para as carteiras dos pais. De resto, desejo que todos os estudantes possam ter a oportunidade de fazer Erasmus pois mais tarde vão colher frutos disso.


Para terminar, uma palavra para descrever o teu tempo em Erasmus?

Memorável, sem dúvida.

Beatriz Pessoa
20140099